
Craig Keener
Resumo
A passagem mais longa utilizada por alguns para defender a submissão das esposas é Efésios 5:22-33; no entanto, ela integra um trecho mais amplo que aborda a submissão (5:21–6:9). Esse trecho utiliza a forma literária antiga conhecida como “códigos domésticos”. Embora Paulo contextualize a submissão para o seu público no Império Romano, ele qualifica esse código de maneira especificamente cristã, enquadrando-o explicitamente no chamado à submissão mútua, tanto no que diz respeito ao casamento (5:21) quanto à escravidão (6:9). O seu convite à submissão da esposa é gramaticalmente inseparável do seu convite à submissão mútua. Isso está em consonância com o ensino de Jesus, que chama todos os seus seguidores a servirem uns aos outros. Da mesma forma, quando Pedro exorta à submissão a toda instituição humana (1 Pe 2:13), ele apresenta exemplos de sua própria cultura — reis, senhores de escravos e maridos (2:13–3:6) — sem esperar que todas as culturas mantenham a monarquia, a escravidão ou o casamento patriarcal.
Palavras-chave: casamento bíblico, submissão mútua, Paulo e as mulheres, esposas na Bíblia
Paulo enquadrou os códigos de Efésios na submissão mútua — em um mundo onde a submissão mútua literal era praticamente desconhecida. Na maioria das culturas atuais, os cristãos levam em consideração os ensinamentos bíblicos específicos de cada cultura sobre o uso de coberturas para a cabeça (que expressavam modéstia sexual) e o ósculo santo (que representava saudações familiares). Assim como os princípios de modéstia sexual e saudações familiares não precisam ser expressos da mesma maneira em todas as culturas, o princípio da submissão à autoridade também não exige que mantenhamos, em todas as culturas, as mesmas estruturas de autoridade características dos contextos do primeiro século.
Os estudiosos frequentemente observam que algumas cartas do Novo Testamento — especialmente Efésios 5:22–6:9 — adaptam a forma literária contemporânea dos códigos domésticos, seguindo inclusive a estrutura geral estabelecida desde Aristóteles.[2] O que chama a atenção não é o uso que Paulo faz de formas familiares, mas sim as suas adaptações. Tais adaptações incluem dirigir-se não apenas ao chefe da casa (homem), mas também à esposa, aos filhos e aos escravos; instruir o marido a amar; e a conexão gramaticalmente clara entre a submissão e não apenas as esposas, mas todos os crentes, em Efésios 5:21. Paulo também relativiza a autoridade do senhor de escravos em 6:5-9.
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