
Por David L. Turner
O tema da Nova Jerusalém sugere o motivo da cidade ideal, um assunto que poderia ser proveitosamente examinado sob as perspectivas sociológica,[1] teológica[2] ou missiológica.[3] Este capítulo, contudo, abordará a cidade ideal sob a ótica da teologia bíblica. Vista no contexto do cânone das Escrituras, a Nova Jerusalém de Apocalipse 21:1—22:5 apresenta-se como a consumação de um complexo continuum bíblico que remonta ao livro de Gênesis. Apocalipse 21—22 é, verdadeiramente, “o fim do começo”.[4]
Anos atrás, o ministro luterano J. A. Seiss (1823—1904) articulou de forma eloquente a perspectiva teológica compartilhada pelo presente estudo:
Se a natureza da Queda consistiu em destruir a existência do homem como raça e em despojá-lo de sua habitação e domínio sobre a terra, a natureza e o efeito da redenção devem necessariamente envolver a restituição e a perpetuação da raça, enquanto tal, e sua reabilitação como feliz possuidora da terra; pois, se a redenção não alcança a extensão das consequências do pecado, o termo é inadequado e deixa de ser redenção. A salvação de qualquer número de indivíduos, se a raça for interrompida e deserdada, não constitui a redenção daquilo que caiu, mas apenas o recolhimento de alguns fragmentos, enquanto a joia primordial é estilhaçada e destruída, e a obra nefasta de Satanás vai além da restauração realizada por Cristo.[5]
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