A Nova Jerusalém em Apocalipse 21:1—22:5: A Consumação de um Continuum Bíblico

Por David L. Turner

O tema da Nova Jerusalém sugere o motivo da cidade ideal, um assunto que poderia ser proveitosamente examinado sob as perspectivas sociológica,[1] teológica[2] ou missiológica.[3] Este capítulo, contudo, abordará a cidade ideal sob a ótica da teologia bíblica. Vista no contexto do cânone das Escrituras, a Nova Jerusalém de Apocalipse 21:1—22:5 apresenta-se como a consumação de um complexo continuum bíblico que remonta ao livro de Gênesis. Apocalipse 21—22 é, verdadeiramente, “o fim do começo”.[4]

Anos atrás, o ministro luterano J. A. Seiss (1823—1904) articulou de forma eloquente a perspectiva teológica compartilhada pelo presente estudo:

Se a natureza da Queda consistiu em destruir a existência do homem como raça e em despojá-lo de sua habitação e domínio sobre a terra, a natureza e o efeito da redenção devem necessariamente envolver a restituição e a perpetuação da raça, enquanto tal, e sua reabilitação como feliz possuidora da terra; pois, se a redenção não alcança a extensão das consequências do pecado, o termo é inadequado e deixa de ser redenção. A salvação de qualquer número de indivíduos, se a raça for interrompida e deserdada, não constitui a redenção daquilo que caiu, mas apenas o recolhimento de alguns fragmentos, enquanto a joia primordial é estilhaçada e destruída, e a obra nefasta de Satanás vai além da restauração realizada por Cristo.[5]

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Será que Adão e Eva comeram da árvore da vida?

Por Michael J. Svigel

Ao longo da história da interpretação, as opiniões variaram sobre se Adão e Eva haviam comido da árvore da vida no paraíso antes da Queda. Se tivessem comido, o banimento do Éden significaria que foram separados dessa fonte de sustento contínuo; caso contrário, o exílio os impediria de provar a árvore pela primeira vez. Neste breve ensaio, defendo a tese de que Adão e Eva já haviam comido da árvore da vida antes da Queda, citando precedentes históricos dessa visão entre os Pais da Igreja. Embora essa perspectiva se alinhe melhor à narrativa geral de criação-queda-redenção apresentada em The Fathers on the Future, ela não é essencial para a estrutura escatológica da obra.

Mas seria a árvore da vida uma árvore literal? E o ato de comer dela conferia, de alguma forma, um poder regenerativo real, fosse físico ou espiritual? Além daqueles que erroneamente entendiam a árvore da vida e a árvore do conhecimento do bem e do mal como sendo a mesma árvore, alguns Pais da Igreja primitiva frequentemente interpretavam essas árvores de modo estritamente alegórico (por exemplo, Orígenes de Alexandria) ou como fontes de imortalidade física — ou física e espiritual — em sentido sacramental, sendo o próprio Deus a fonte do poder vivificante. Ademais, comentários posteriores de Calvino parecem inclinar-se para uma direção quase docetista, algo que devemos evitar:

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