
*Escrevi este ensaio durante meu mestrado em Biblioteconomia e Ciência da Informação, por volta de 2010/2011.
Introdução a Mulheres como Escribas
Ao longo dos meus estudos sobre a história da escrita, profissional ou não, ouvi muitas maneiras de descrever os escribas e suas vidas: escritores profissionais; condições de trabalho às vezes monótonas e desconfortáveis; monges; o domínio do estilete; homens instruídos durante o Império Romano; o colofão… e, considerando todos esses aspectos, nunca os ouvi em relação a uma mulher. A iluminação (trocadilho intencional) do ser de um escriba é sempre inerentemente entendida como relacionada à vida de um homem, um homem que segura o instrumento – cujas ações, é claro, darão forma às palavras ou imagens a criação de conteúdo. Então, minha pergunta é: existiram mulheres escribas?
Para realizar minha pesquisa, examinei a história dos principais períodos da escrita ou da cópia, com foco na Mesopotâmia, no Antigo Egito, no Império Romano e na Europa da Idade Média, estendendo-se aproximadamente até o século XVI (parando, em linhas gerais, com o advento de Gutenberg em meados do século XV e a invenção da imprensa). Apesar das informações contidas sobre as áreas geográficas e os períodos específicos, lembro ao leitor que minha pesquisa não é exaustiva e que deixei de fora certos grupos, uma análise mais aprofundada de religiões não cristãs, como escribas judeus durante a Idade Média, e estudos sobre escribas asiáticas e do Oriente Médio.
Ficará evidente que a maior parte da documentação conhecida sobre escribas provém da Idade Média, em um contexto cristão. Seja como for, o objetivo desta pesquisa é registrar a presença de mulheres no maior número possível de locais e épocas durante os principais períodos da escrita e da transmissão da expressão escrita ou desenhada, por mais escassos que sejam os registros existentes atualmente.
Assine para continuar lendo
Torne-se um assinante pagante para ter acesso ao restante do post e outros conteúdos exclusivos.
