Os Sermões de John Wesley – Sermão 60- A Libertação Geral

“A ardente expectativa da criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa daquele que a sujeitou; contudo, na esperança de que a própria criação será libertada da escravidão da corrupção, para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e sofre as dores de parto até agora.” Romanos 8:19-22.

1. Nada é mais certo do que o fato de que, assim como “o Senhor ama a todos”, “sua misericórdia se estende a todas as suas obras”; todas as que têm consciência, todas as que são capazes de prazer ou dor, de felicidade ou miséria. Em consequência disso, “ele abre a sua mão e outorga abundantemente a todos os seres vivos. Ele prepara alimento para o gado”, assim como “ervas para os filhos dos homens”. Ele provê para as aves do céu, “alimentando os filhotes dos corvos quando clamam a ele”. “Ele faz brotar fontes nos rios que correm entre os montes, para dar de beber a todos os animais do campo”, e para que até mesmo “os jumentos selvagens possam saciar a sua sede”. E, apropriadamente a isso, ele nos orienta a sermos ternos até mesmo com as criaturas mais humildes; a mostrar misericórdia também a estas. “Não amordace o boi que debulha o trigo” — um costume que ainda hoje é observado nos países do Oriente. E isso de modo algum contradiz a pergunta de São Paulo: “Será que Deus cuida dos bois?”. Sem dúvida, sim. Não podemos negar isso sem contradizer frontalmente a sua palavra. O significado claro do Apóstolo é: Será que é só isso que está implícito no texto? Não há um significado mais profundo? Não nos ensina que devemos alimentar os corpos daqueles que desejamos que alimentem nossas almas? Enquanto isso, é certo que Deus “dá pasto para o gado”, assim como “ervas para o uso dos homens”.

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Nova Criação nas Escrituras e na Tradição Cristã

Edith M. Humphrey

Este verbete analisa as abordagens bíblicas e cristãs subsequentes à nova criação, sob as rubricas “o bom”, “o novo” e “o belo”. A introdução esboça pontos de debate: “nova criação” como realizada ou escatológica, renovada ou totalmente nova, como céu ou Nova Jerusalém, e caracterizada pela beleza ou pela verdade. A primeira seção (“o bom”) estabelece como fundamental a bondade da criação, de modo que a escatologia não pode ser meramente uma questão de dissolver o velho, mas de reter tudo o que é bom (antropológico e de outras formas) e renová-lo. Aqui entra em jogo o debate atual sobre se os cristãos devem falar de “céu” em vez de “nova criação”. A segunda seção (“o novo”) passa da continuidade na escatologia para o espanto, investigando a sugestão de que a criação foi dada como boa, mas não perfeita. São consideradas as visões da encarnação como reparadora ou como inerente à primeira criação. A complexidade da queda, com suas consequências de corrupção e morte, é explorada: a morte é vista como uma ruptura entre o velho e o novo. Intrigante também é a promessa de um “novo céu” unido a uma nova terra. Assim, a glória prometida surge como algo inesperado, além da continuidade, vislumbrada nos surpreendentes “milagres” realizados por Jesus e seus seguidores. Na terceira seção, a beleza na era presente surge como um meio de vislumbrar o télos (fim ou propósito) final da criação. A qualidade sacramental da criação de Deus é discutida, assim como a diferença entre uma nova criação realizada e um futuro além da imaginação humana. A conclusão sugere uma hermenêutica integradora, na qual a nova criação inaugurada convida os cristãos a uma visão abençoada e comunhão final que ultrapassará a caminhada edênica original com o Senhor. Essa presença misteriosa da nova criação, e a esperança de sua realização, dignifica a adoração humana e os esforços subcriativos, incluindo o chamado sacerdotal para nutrir o mundo e apresentá-lo ao criador do céu e da terra.

1 Introdução

A “nova criação” é um conceito-chave na Bíblia cristã, antecipado no Antigo Testamento (AT) e parte integrante do Novo Testamento (NT). Para o apóstolo Paulo, é tão significativa que ele encerra uma carta polêmica elogiando a nova criação como tudo o que importa (Gálatas 6:15). Como o evangelho se desenvolve no tempo, porém, a nova criação não é um conceito unívoco e tornou-se um ponto crucial de debate: a Bíblia descreve a nova criação como algo já realizado ou como uma esperança escatológica? É uma renovação ou algo totalmente novo? Os cristãos devem entender seu objetivo como o céu ou a ressurreição? A nova criação é melhor caracterizada pela beleza ou pela justiça? Esses temas são às vezes apresentados como mutuamente exclusivos, mas todos encontram espaço nas Escrituras e podem ser considerados em conjunto, apesar de alguma tensão cognitiva. Este verbete destaca pontos em comum e debates na interpretação das Escrituras cristãs a respeito da nova criação, estabelecendo a criação como “boa”, considerando mais a fundo como a nova criação é “nova” e descrevendo a nova criação final como a expressão máxima do “belo”.

2 O lado bom

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