A Cidade da Glória

Autor: Ray C. Stedman

Muitos de vocês são jovens demais para se lembrar disso, mas, anos atrás, antes da Segunda Guerra Mundial, havia um locutor de notícias de rádio chamado H. V. Kaltenborn. Ele sempre começava sua transmissão de notícias com as palavras: “Bem, temos boas notícias hoje!” É assim que gostaria de começar esta última seção do livro de Apocalipse. São, de fato, boas notícias! Os juízos já passaram; as terríveis pragas sobre a terra chegaram ao fim. Começamos com uma visão do céu descendo à terra; um tempo em que as orações do povo de Deus ao longo dos séculos — “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu” — serão respondidas.

Os capítulos 21 e 22 contêm quase todos os relatos bíblicos referentes ao estado eterno. A maioria das passagens proféticas do Antigo Testamento que descrevem um tempo de grande bênção na terra refere-se ao reinado milenar de nosso Senhor, que precede este último grande evento. Pouco se fala no Antigo Testamento sobre o céu. Mas aqui, nestes capítulos, ele é revelado. Após o julgamento do Grande Trono Branco, registrado no capítulo 20, João vê uma criação totalmente nova surgir.

Então vi um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra haviam passado, e o mar já não existia. Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. E ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia: “Agora a morada de Deus está com os homens, e ele habitará com eles. Eles serão o seu povo, e o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem luto, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem das coisas já passou.” (Apocalipse 21:1-4)

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Os Sermões de John Wesley – Sermão 60- A Libertação Geral

“A ardente expectativa da criação aguarda a manifestação dos filhos de Deus. Pois a criação foi sujeita à vaidade, não por sua própria vontade, mas por causa daquele que a sujeitou; contudo, na esperança de que a própria criação será libertada da escravidão da corrupção, para a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e sofre as dores de parto até agora.” Romanos 8:19-22.

1. Nada é mais certo do que o fato de que, assim como “o Senhor ama a todos”, “sua misericórdia se estende a todas as suas obras”; todas as que têm consciência, todas as que são capazes de prazer ou dor, de felicidade ou miséria. Em consequência disso, “ele abre a sua mão e outorga abundantemente a todos os seres vivos. Ele prepara alimento para o gado”, assim como “ervas para os filhos dos homens”. Ele provê para as aves do céu, “alimentando os filhotes dos corvos quando clamam a ele”. “Ele faz brotar fontes nos rios que correm entre os montes, para dar de beber a todos os animais do campo”, e para que até mesmo “os jumentos selvagens possam saciar a sua sede”. E, apropriadamente a isso, ele nos orienta a sermos ternos até mesmo com as criaturas mais humildes; a mostrar misericórdia também a estas. “Não amordace o boi que debulha o trigo” — um costume que ainda hoje é observado nos países do Oriente. E isso de modo algum contradiz a pergunta de São Paulo: “Será que Deus cuida dos bois?”. Sem dúvida, sim. Não podemos negar isso sem contradizer frontalmente a sua palavra. O significado claro do Apóstolo é: Será que é só isso que está implícito no texto? Não há um significado mais profundo? Não nos ensina que devemos alimentar os corpos daqueles que desejamos que alimentem nossas almas? Enquanto isso, é certo que Deus “dá pasto para o gado”, assim como “ervas para o uso dos homens”.

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Nova Criação nas Escrituras e na Tradição Cristã

Edith M. Humphrey

Este verbete analisa as abordagens bíblicas e cristãs subsequentes à nova criação, sob as rubricas “o bom”, “o novo” e “o belo”. A introdução esboça pontos de debate: “nova criação” como realizada ou escatológica, renovada ou totalmente nova, como céu ou Nova Jerusalém, e caracterizada pela beleza ou pela verdade. A primeira seção (“o bom”) estabelece como fundamental a bondade da criação, de modo que a escatologia não pode ser meramente uma questão de dissolver o velho, mas de reter tudo o que é bom (antropológico e de outras formas) e renová-lo. Aqui entra em jogo o debate atual sobre se os cristãos devem falar de “céu” em vez de “nova criação”. A segunda seção (“o novo”) passa da continuidade na escatologia para o espanto, investigando a sugestão de que a criação foi dada como boa, mas não perfeita. São consideradas as visões da encarnação como reparadora ou como inerente à primeira criação. A complexidade da queda, com suas consequências de corrupção e morte, é explorada: a morte é vista como uma ruptura entre o velho e o novo. Intrigante também é a promessa de um “novo céu” unido a uma nova terra. Assim, a glória prometida surge como algo inesperado, além da continuidade, vislumbrada nos surpreendentes “milagres” realizados por Jesus e seus seguidores. Na terceira seção, a beleza na era presente surge como um meio de vislumbrar o télos (fim ou propósito) final da criação. A qualidade sacramental da criação de Deus é discutida, assim como a diferença entre uma nova criação realizada e um futuro além da imaginação humana. A conclusão sugere uma hermenêutica integradora, na qual a nova criação inaugurada convida os cristãos a uma visão abençoada e comunhão final que ultrapassará a caminhada edênica original com o Senhor. Essa presença misteriosa da nova criação, e a esperança de sua realização, dignifica a adoração humana e os esforços subcriativos, incluindo o chamado sacerdotal para nutrir o mundo e apresentá-lo ao criador do céu e da terra.

1 Introdução

A “nova criação” é um conceito-chave na Bíblia cristã, antecipado no Antigo Testamento (AT) e parte integrante do Novo Testamento (NT). Para o apóstolo Paulo, é tão significativa que ele encerra uma carta polêmica elogiando a nova criação como tudo o que importa (Gálatas 6:15). Como o evangelho se desenvolve no tempo, porém, a nova criação não é um conceito unívoco e tornou-se um ponto crucial de debate: a Bíblia descreve a nova criação como algo já realizado ou como uma esperança escatológica? É uma renovação ou algo totalmente novo? Os cristãos devem entender seu objetivo como o céu ou a ressurreição? A nova criação é melhor caracterizada pela beleza ou pela justiça? Esses temas são às vezes apresentados como mutuamente exclusivos, mas todos encontram espaço nas Escrituras e podem ser considerados em conjunto, apesar de alguma tensão cognitiva. Este verbete destaca pontos em comum e debates na interpretação das Escrituras cristãs a respeito da nova criação, estabelecendo a criação como “boa”, considerando mais a fundo como a nova criação é “nova” e descrevendo a nova criação final como a expressão máxima do “belo”.

2 O lado bom

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