UMA HISTÓRIA DO DISPENSACIONALISMO

Por Thomas Ice

É duvidoso que tenha havido outro círculo de homens [dispensacionalistas] que tenham feito mais com sua influência na pregação, ensino e escrita para promover o amor ao Estudo bíblico, um desejo ardente pela vida cristã mais profunda, uma paixão pelo evangelismo e zelo pelas missões na história do cristianismo americano.1
– Crítico Dispensacionalista, George E. Ladd

Certamente todos nós concordaremos que muitos homens de piedade e zelo destacados defenderam crenças dispensacionais. . . . as questões que são levantadas pelo dispensacionalismo são cruciais para a vida da Igreja e a compreensão das Escrituras.2
—Anti-dispensacionalista, C. Norman Kraus

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Agostinho sobre Cair da Graça

O quinto ponto do calvinismo é a perseverança dos santos. A Confissão de Westminster define Perseverança dos santos como:

Eles, a quem Deus aceitou em seu amado, efeticazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem nem se afastar total ou finalmente do estado de graça, mas certamente perseverarão até o fim e serão eternamente salvos. (link)

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A Igreja Primitiva e o Livre-Arbítrio

Paul Marston e Roger T. Forster

O simpatizante agostiniano Alister E. McGrath admite:

A tradição teológica pré-agostiniana é praticamente unânime em afirmar a liberdade da vontade humana.

Isto de fato é verdadeiro a todos os ramos divergentes da teologia da igreja primitiva, em todas as áreas às quais a igreja era conduzida. Como notamos na seção 16, o termo “livre-arbítrio” foi inventado, como o termo “trindade”, como parte de uma elucidação de ideias claramente implícitas na Escritura. Nem uma única personalidade da igreja nos primeiros 300 anos o rejeitou e a maioria o afirmava claramente em obras ainda existentes. Vemos que ele foi ensinado por grandes líderes em lugares tão diferentes quanto Alexandria, Antioquia, Atenas, Cartago, Jerusalém, Lícia, Nissa, Roma e Sica.E também pelos líderes de todas as principais escolas teológicas. Os únicos que o rejeitavam eram heréticos, como os gnósticos, Marcião, Valentino, Mane (e os maniqueístas), etc. De fato, os pais primitivos geralmente afirmam sua crença no “livre-arbítrio” em obras atacando os heréticos. Três ideias recorrentes parecem estar em seus ensinos:

1. A rejeição do livre-arbítrio é o ponto de vista dos heréticos.

2. O livre-arbítrio é um dom dado ao homem por Deus – pois nada pode finalmente ser independente de Deus.

3 – O homem possui livre-arbítrio porque ele foi feito à imagem de Deus, e Deus tem livre-arbítrio.

Abaixo preparamos algumas passagens dos escritos de personalidades líderes da igreja primitiva. Cada uma é acompanhada por uma breve explicação de quem o escritor era, mas para mais explicação o leitor deverá consultar alguma obra padrão. Antes, uma nota explicativa (dada por Smith) pode ser útil: “Os escritores que tentaram argumentar em favor da fé cristã são frequentemente chamados de ‘apologistas’, do grego apologia, que significa ‘defesa’. Em inglês este é um termo enganador, porque sugere que eles estavam se desculpando (inglês, apologizing) de alguma coisa. Eles não estavam. Algumas de suas obras eram mais um ataque frontal ao paganismo contemporâneo. Muitas delas eram uma explicação do que os cristãos eram e porque eles eram inocentes das acusações lançadas contra eles”.

Fonte: God’s Strategy in Human History, p. 296, 297

Tradução: Paulo Cesar Antune

OS PAIS DA IGREJA PRIMITIVA ENSINARAM AS DOUTRINAS CALVINISTAS?

Esta informação histórica pode ser útil na sua busca pela perspectiva soteriológica mais sólida. Mesmo o notável historiador calvinista, Loraine Boettner, admitiu: “Esta verdade fundamental [calvinismo] do cristianismo foi primeiramente ensinada claramente por Agostinho, o grande teólogo cheio do Espírito do Ocidente”.

Considere este artigo produzido por Tim Warner em 2003:

Antes dos escritos de Agostinho, a Igreja sustentava universalmente que a humanidade tinha um livre arbítrio. Cada homem era responsável diante de Deus para aceitar o Evangelho. Seu destino final, enquanto totalmente dependente da graça e do poder de Deus, também dependia de sua livre escolha de submeter-se ou rejeitar a graça e o poder de Deus. Nos três séculos dos Apóstolos a Agostinho, a Igreja primitiva não considerou NENHUM dos cinco pontos do Calvinismo. Os escritos da Igreja ortodoxa, durante os primeiros três séculos, estão em contraste com as ideias de Agostinho e Calvino. O homem é plenamente responsável por sua escolha para responder ou rejeitar o Evangelho. Esta era considerada a doutrina apostólica transmitida através dos anciãos da igreja local ordenados pelos Apóstolos e seus sucessores. Abaixo temos listado algumas citações representativas dos escritores anteriores, a fim de dar o sabor da tradição mais antiga em relação à eleição e livre arbítrio. Alguns lidam com o tema da perseverança e apostasia.

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O APÓSTOLO JOÃO E A ÁSIA MENOR COMO UMA FONTE DO PRÉ-MILENISMO NOS PAIS DA IGREJA PRIMITIVA

Larry V. Crutchfield *

Uma das características centrais da escatologia patrística primitiva foi à crença no retorno pré-milenar de Cristo. Geralmente, aceitou-se entre estudiosos conservadores que esta doutrina era corrente no período ante-niceno. Como Froom diz: “Esta concepção do reinado dos santos ressuscitados e transformados com Cristo nesta terra durante o milênio – popularmente conhecido como Quiliasmo – foi a crença cada vez mais prevalecente nessa época” .1 Somente com as tendências alegorizantes dos primeiros teólogos alexandrinos , especialmente Orígenes, e depois o bispo africano Agostinho a doutrina eventualmente caiu em descredito.

Embora houvesse um consenso geral de que a Igreja primitiva foi pre-milenista em sua expectativa escatológica, a questão da origem dessa doutrina entre os primeiros pais da Igreja tem sido o foco de uma discussão considerável. Além dos textos das Escrituras canônicas geralmente citadas pelos pais em apoio à doutrina (por exemplo Isa 65: 17-25; Ps 90: 4; 2 Pet 3: 8; Rev. 20: 4-6; et al.), Certas fontes apocalípticas não-canônicas são frequentemente sugeridas pelos escritores modernos como contribuidores possíveis também (por exemplo, 1 Enoq 10:19; 2 Apoc. Bar. 29: 5; Jub. 4: 29-30; 23:27; et al.). Mas, independentemente das diferentes partículas de dados apocalípticos – escritas e / ou orais – unidas pelos primeiros milenaristas para apoiar seus conceitos sobre o reino vindouro, o fio sobre o qual essas partículas estavam penduradas era o mesmo. Essa vertente, o ensinamento joanino sobre o reinado milenar de Cristo, foi concebido na ilha de Patmos, mas alimentada na Ásia Menor.

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Uma pessoa salva pode se perder? (à luz da igreja primitiva)

 

Como os cristãos primitivos acreditavam que fé e obediência contínuas são necessárias para a salvação, é natural que eles acreditassem que uma pessoa “salva” ainda poderia acabar se perdendo. Por exemplo, Irineu, discípulo de Policarpo, escreveu:

Jesus não vai morrer outra vez por aqueles que ainda pecam, pois a morte não terá mais domínio sobre ele… Portanto não devemos nos orgulhar…Mas temos que tomar cuidado, pois de alguma forma, depois que conhecemos a Cristo, se continuamos fazendo coisas que desagradam a Deus, não obtemos mais o perdão dos nossos pecados, mas, em vez disso somos excluídos de seu reino (leia Hebreus 6:4-6).22

E Tertuliano escreveu:

Algumas pessoas agem como se Deus tivesse a obrigação  de dar seu dom até aos indignos. Transformam sua generosidade em escravidão… Afinal, muitos não acabam perdendo a graça de Deus? Este dom preciso não é retirado de muitos?23

Cipriano disse  aos seus companheiros:

Está escrito: ‘Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo’ (Mateus 10:22). Assim, o que quer que anteceda o fim é apenas um degrau para chegarmos ao topo da salvação. Aqui não é a linha de chegada, em que já ganhamos o premio da escalada. 24

Uma das passagens bíblicas mais citadas pelo cristão primitivo era Hebreus 10:26, que diz:”Porque, se vivermos deliberadamente  em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados”. Geralmente nos  dizem que nesta passagem o autor de Hebreus não estava se referindo aos salvos. Se for o caso, o escritor não conseguiu se fazer entender aos seus leitores, pois todos  os cristão primitivos entendiam que esta passagem estava se referindo às pessoas salvas.

Talvez algumas das citações dos cristãos primitivos levem você a pensar que eles viviam em  constante insegurança. Mas isso não é verdade. Embora acreditassem que Deus poderia deserdá-los se assim o quisesse, seus escritos geralmente mostram que os cristãos obedientes não viviam com um medo constante de que fossem deserdados.  Um filho obediente vive  sempre com medo de que  seu pai terrestre o deserde?

22- Irineu. Contra Heresias, Livro 4, capitulo 27, seção 2

23- Tertuliano. A penitencia, capitulo 6.

24- Cipriano. Sobre a Unidade da Igreja, seção 21

Fonte:  Que falem os primeiros Cristãos. Pgs.72-73, David W. Bercot

 

 

Pré-milenismo na Igreja Antenicéia: Por que a divisão na Igreja primitiva sobre o Quiliasmo (Milênio)?

Por  Dr. H.Wayne House

  1. Introdução

 

Geralmente os estudiosos de teologia sistemática e patrística concordam que a visão mais antiga de escatologia na igreja é o pre-milenismo. [1] Desde o final do primeiro século até o tempo de Agostinho no século IV, alguma forma de expectativa pré-milenar do retorno Jesus era a visão dominante ou defendida por vários líderes proeminentes e teólogos da Igreja.

A Igreja ainda era muito jovem na virada do primeiro século e este movimento entusiástico estava apenas começando a encontrar seu caminho no meio da religião pagã que a cercava e do Império Romano que a oprimia. A Igreja dos Gentios possuía o Antigo Testamento, em Grego, mas as palavras dos apóstolos estavam em tradição oral em muitos lugares, embora gradualmente os vários livros do Novo Testamento estivessem sendo coletados nos vários centros da Igreja do mundo mediterrâneo, distinguindo-se dos livros não canônicos que não foram inspirados, mas considerados valiosos. O evangelho de João, as Epístolas e o Apocalipse tinham sido escritos recentemente, e os livros deste apóstolo reverenciado e idoso foram lidos pelas igrejas da Ásia Menor, encontrando gradualmente o caminho para outros centros Cristãos do império. A Igreja não só sofria perseguição de fora, mas, dentro das comunidades Cristãs, foram introduzidas diferentes doutrinas que não correspondiam com o que a Igreja recebeu dos apóstolos. Além disso, ainda havia pontos teológicos que não eram plenamente compreendidos pela Igreja. Isso era esperado devido ao acesso limitado a todos os escritos do Novo Testamento, à falta de tempo para considerar os vários ensinamentos e a dificuldade de alguns escritos apostólicos, mesmo ensinando que poderia haver aspectos difíceis até mesmo para o apóstolo Pedro ( 2 Ped 3: 14-16).

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Amilenismo vs Pré-milenismo

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Por Gary Vaterlaus

Os pais da igreja primitiva foram muito prolíficos em seus escritos. Muitos desses primeiros documentos foram preservados para nós atualmente. Seus escritos nos dão uma imagem das crenças, estilo de vida e lutas da igreja primitiva. Embora nem todos os pais da igreja primitiva escrevessem sobre o retorno de Cristo e Seu subsequente reino que viria, esses nos deixaram uma imagem clara da esperança escatológica da igreja primitiva. Ao ler os primeiros pais, rapidamente se aprende que, em relação ao reino temporal de Cristo, os pais eram chiliastas. O Quiliasmo (pronunciado “kileeazem”) é o termo correto para designar a posição teológica dos primeiros pais em relação ao reino temporal do Senhor. O chiliasmo vem da palavra grega que significa mil. Portanto, ser Quiliasta é acreditar que Cristo irá estabelecer um reino temporal na terra após o Seu retorno, mil anos de duração. Citando inúmeras fontes e referências históricas, Larry V. Crutchfield, professor de História e Cultura Cristã primitiva no Columbia Evangelical Seminary, enumera vários pais da igreja e documentos da igreja primitiva como defensores do Quiliasmo. (1)

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As testemunhas primitivas do pré-milenismo

Foi dito que se pode usar a história da igreja para provar praticamente qualquer coisa. Há alguma sabedoria para esse velho ditado e é por isso que devemos ter cuidado quando usamos a história da igreja para apoiar o que cremos. Além disso, os evangélicos muitas vezes declararam com razão que tão importante quanto à história da igreja, nossas crenças doutrinárias devem, antes de tudo, ser fundamentadas nas Escrituras. Assim, a perspectiva adequada é prestar muita atenção à história da igreja e aprender com ela, mas também entender que as Escrituras têm prioridade sobre a história da igreja quando se trata no que devemos crer.

Com isso em mente, no entanto, acho que a história da igreja é útil quando se trata da controvertida questão da natureza do milênio que é discutida em Ap 20: 1-10. Em seis ocasiões nesta passagem, o apóstolo João cita o reinado de Cristo que é de “mil anos”. Ao longo da história da igreja, os cristãos debateram o que João quis dizer com o reinado de mil anos de Cristo.

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