As Confissões de Agostinho: espiritualidade gnóstica e cristã em um documento profundo

Por Oort, Johannes van

Senhor Reitor Magnífico,

Senhoras e senhores,

As pesquisas sobre Agostinho encontram-se atualmente em um estado de grande efervescência. Foram descobertas cartas escritas por ele que lançam nova luz sobre sua vida e obra. Vários sermões encontrados recentemente fornecem informações inesperadas e, por vezes, cruciais. Evidentemente, nenhuma outra figura da história da Igreja recebe tanta atenção, tanto na academia quanto na imprensa popular, quanto Agostinho. Exatamente nesta semana, há um ano, realizou-se uma conferência em sua terra natal. No dia 5 de abril, houve uma visita a Annaba — a antiga Hipona Régia. Arqueólogos explicaram que a cidade onde Agostinho serviu como bispo — cidade que abrigava uma Igreja de Santo Estêvão fundada pelo próprio — ainda aguarda, em grande parte, escavações. Especulou-se sobre descobertas novas e até mesmo sensacionais em Hipona, Tagaste e, sobretudo, Madaura. A conferência, organizada pelo Haut Conseil Islamique d’Algérie (Alto Conselho Islâmico da Argélia), ressaltou a relevância contemporânea desse Pai da Igreja para o pensamento islâmico. O evento ocorreu no âmbito do ano do “Diálogo entre Civilizações”, proclamado pela UNESCO. Resta esperar que, na esteira do 11 de setembro, esse diálogo seja conduzido com vigor renovado.

As descobertas e perspectivas aqui mencionadas não são, de forma alguma, as únicas. Durante pelo menos dez anos, Agostinho foi um “Ouvinte” entre os maniqueus. Já naquela época, esses cristãos gnósticos constituíam uma igreja de alcance mundial. Desde 1900, descobertas significativas foram feitas em uma vasta região que se estende da Argélia à China. Muitos textos maniqueus anteriormente desconhecidos tornaram-se disponíveis para estudo, assim como exemplos de pintura e arte em miniatura, liturgia e música maniqueias. As descobertas feitas no Egito durante a década de 1930, juntamente com as escavações em curso no Oásis de Dakhla, no Egito, são de particular importância. Elas oferecem a oportunidade de examinar mais de perto os “anos ocultos” de Agostinho — um período sobre o qual ele é, por um lado, muito reticente, mas que — para o leitor atento — revela-se esclarecedor.

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