- Introdução
- A Caricatura do Ensino de Pelágio e sua Separação da Realidade dos Textos Escritos por Pelágio
(p.x) Introdução
Ali Bonner
Pelágio foi um bretão que foi a Roma em algum momento no início dos anos 380 dC, no começo provavelmente para estudar direito.[1] Qualquer que fosse o plano original, ele se tornou um conselheiro bíblico para os Cristãos em Roma; ele escreveu sobre como viver uma vida Cristã e compôs comentários explicando o significado dos livros da Bíblia.[2] Em 415 dC, ele foi julgado duas vezes e absolvido da acusação de heresia por concílios eclesiásticos na Palestina.[3] Após uma terceira investigação, o papa no cargo, em sua conclusão, anunciou que estava absolvendo Pelágio, mas depois mudou sua posição, com o resultado de Pelágio ser condenado como herege em 418 dC.[4] Ele foi caracterizado por seus oponentes como liderando um movimento separatista perigoso para o Cristianismo, denominado ‘Pelagianismo’, e seu nome tornou-se sinônimo de arrogância intencional. Nos 1.600 anos desde então, Pelágio nunca deixou de ser uma figura controversa, e o relato sobre ele divulgado por seus oponentes nunca foi seriamente questionado.
Duas características dos escritos de Pelágio se combinam para torná-lo distinto entre os supostos autores de heresia. Em primeiro lugar, várias de suas obras sobreviveram, permitindo a comparação direta das ideias atribuídas a ele por seus oponentes e o conteúdo real de seus escritos. Para a maioria dos supostos heresiarcas, esse não é o caso; a narrativa sobre uma heresia em textos sobreviventes é geralmente escrita pelo lado vencedor (p.xi) na luta para moldar a fé Cristã.[5] Segundo, durante todo o período medieval, os escritos de Pelágio estavam tão amplamente disponíveis quanto o relato do Cristianismo proposto por seus oponentes; isso também é incomum. Esses dois fatos tornam o caso de Pelágio paradigmático na análise do processo de acusações de heresia.
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