ESCRITURA E MITO EM DIETRICH BONHOEFFER

 

Por Richard Weikart, Universidade de Iowa

Dietrich Bonhoeffer se tornou um herói mítico no panteão do Cristianismo no final do século XX. A admiração por ele decorre de movimentos diversos e contraditórios, como o fundamentalismo e a teologia radical da morte de Deus, bem como da maioria dos grupos localizados entre esses pólos. Evangélicos americanos[1] juntaram-se ao coro de seus elogios e promovem ativamente suas obras. Uma revisão recente de A Testament of Freedom: The Essential Writings of Dietrich Bonhoeffer em Christianity Today ordena que um público predominantemente evangélico “se sente … aos pés de Dietrich Bonhoeffer”, cuja vida “soa com a autenticidade Cristã”[2]. Dois manuais de literatura evangélica listam os escritos de Bonhoeffer como importante material de leitura para os evangélicos.[3] Meus próprios contatos com evangélicos e fundamentalistas confirmam que Bonhoeffer desfruta de ampla aprovação entre eles.

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Sementes Contaminadas e Vasos Sagrados: O Passado Maniqueísta de Agostinho

Por Elizabeth A. Clark

1

O abismo entre o anseio juvenil de Agostinho pela certeza científica[1] e suas posteriores admissões de ignorância[2] é apenas uma indicação de sua visão progressivamente “obscurecida”.[3] Embora essa ignorância tenha levado a louvar a onipotência misteriosa de Deus,[4] o velho Agostinho, longe de compreender o projeto do universo,[5] não conseguia entender como se formavam os fetos nem como recebiam suas almas.[6] Ainda pior que a ignorância científica foi à heresia, e no final de sua vida, Agostinho descobriu que sua teologia da reprodução impunha acusações de “Maniqueísmo” contra ele.[7] Críticos Pelagianos como Juliano de Eclano alegaram que a teoria do pecado original de Agostinho, transmitida através do ato sexual e corrompendo a prole concebida, era um retrocesso à noção Maniqueísta do “mal natural” que Agostinho havia aceitado em sua juventude.[8]

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O ARREBATAMENTO EM VINTE SÉCULOS DE INTERPRETAÇÃO BÍBLICA

James F. Stitzinger

Professor Associado de Teologia Histórica

A vinda do Messias de Deus merece mais atenção do que costuma receber. A futura vinda do Messias, chamada de “arrebatamento”, é iminente, literal e visível, para todos os santos da igreja, antes da hora da provação, pré-milenista e, baseada em uma hermenêutica literal, diferencia Israel da igreja. As opiniões que os pais da igreja primitiva defendiam era uma espécie de iminência intra ou pós-tribulacionismo em relação ao ensino pré-milenista. Com algumas exceções, os escritores da igreja Medieval pouco disseram sobre um futuro milênio e um futuro arrebatamento. Os líderes da Reforma pouco tinham a dizer sobre porções proféticas da Escritura, mas comentaram a iminência do retorno de Cristo. O período moderno da história da igreja viu um retorno ao ensino pré-milenal da igreja primitiva e um arrebatamento pré-tribulacional nos escritos de Gill e Edwards, e mais particularmente nas obras de J. N. Darby. Depois de Darby, o pré-tribulacionismo se espalhou rapidamente na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Um ressurgimento do pós-tribulacionismo ocorreu após 1952, acompanhado por uma forte oposição ao pré-tribulacionismo, mas um apoio renovadodo ao pré-tribulacionismo surgiu em passado recente. Cinco visões pré-milenistas do arrebatamento incluem duas visões principais – pré-tribulacionismo e pós-tribulacionismo – e três visões secundárias – arrebatamento parcial, intermediário e pré-ira.

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Um Leopardo Pode Mudar Suas Manchas? Agostinho e a Questão Criptomaniqueísta

Por Paul Rhodes Eddy

Abstrato

Ao longo de sua vida, Agostinho enfrentou a acusação de que, apesar de sua aparente conversão à fé Cristã ortodoxa da Igreja Católica, seu pensamento, todavia, manteve vestígios de sua permanência de aproximadamente dez anos com os Maniqueus. Ninguém foi mais implacável nessa acusação do que o inimigo Pelagiano de Agostinho em seus anos finais, Juliano de Eclano. Ao longo da maior parte da historia da igreja, a reputação de Agostinho foi pouco perturbada por essas acusações de criptomaniqueismo. No entanto, ao longo do último século, mais ou menos, a acusação voltou a ganhar vida. Este artigo começa com uma breve orientação para alguns dos principais princípios filosóficos e teológicos do Maniqueísmo, com ênfase naqueles elementos que serão importantes para avaliar a questão de Agostinho. Em seguida, a história da acusação de que o Agostinho Cristão permaneceu de uma forma importante e ainda inconsciente, um Criptomaniqueísta será rastreado desde o tempo de Agostinho até o presente. Finalmente, uma direção metodológica em que uma solução eventual para essa questão de longa data pode ser considerada.

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O LEGADO MANIQUEÍSTA DE SANTO AGOSTINHO

Pode ser útil introduzir este tópico, explicando como eu cheguei até aqui. Minha pesquisa de doutorado na década de 1970 foi um estudo de De moribus ecclesiae catholicae (“Crença Católica na Prática”), a primeira obra que Agostinho começou a compor depois de seu batismo em 387.[1]

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A Interpretação das Setenta Semanas de Daniel nos Primeiros Pais

Por Louis E. Knowles

MAIS de um escritor observou que o notável pântano da interpretação do Antigo Testamento se encontra na história das inúmeras e igualmente diversas exposições da profecia de Daniel das Setenta Semanas. Isso é certamente tão verdadeiro quanto à situação nos primeiros escritores patrísticos como em qualquer outro período. Além disso, a confusão geralmente aumenta aqui devido a dois fatores. Primeiro, os primeiros pais tinham um texto muito corrupto de Daniel, sobre o qual trabalhar. Nenhum deles demosntra qualquer conhecimento do Hebraico dessa passagem, embora alguns dos escritores posteriores tenham familiaridade com o idioma. O segundo fator está na falta de cronologia científica. Poucos pais tinham ideia de quando o primeiro ano de Ciro ocorreu. Deve-se afirmar, no entanto, que quanto mais tarde seguimos o desenvolvimento, mais preciso se torna o conhecimento das datas históricas.

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GEMIDOS INEXPRIMÍVEIS: RUMO A UMA TEOLOGIA DE LÍNGUAS COMO EVIDÊNCIA INICIAL

Frank D. Macchia [HTTP://www.apts.edu/ajps/98-2/98-2-macchia.htm]

Em um determinado dia, solicitei, num curso de pneumatologia no Southeastern College, para os alunos levantarem as mãos, mas somente àqueles que discordavam da doutrina de línguas como evidência física inicial do batismo no Espírito Santo. Apenas um pequeno número de mãos foi levantada. Eu então pedi para levantar as mãos aqueles que concordavam. Para minha surpresa, apenas um pequeno número de mãos foi levantada. Eu impulsivamente pedi para levantar as mãos aqueles que não entendiam o significado da doutrina. A maioria das mãos foi levantada. Embora esses estudantes ainda estivessem no processo de adquirir um conhecimento basilar da doutrina, sua falta de entendimento provavelmente está também relacionada à negligência geral da reflexão teológica sobre as línguas como evidência inicial na história do Pentecostalismo. Suspeito que, o que experimentei entre esses alunos possa ser repetido em muitas de nossas faculdades e igrejas. Parece que as décadas de polêmica que defenderam línguas como a “evidência bíblica” do batismo no Espírito não conseguiram conquistar vigor suficiente para refletir construtivamente sobre o possível significado desse entendimento das línguas teologicamente e como o “propósito evangélico” da doutrina pode ser preservada sem os enrijecimentos dogmáticos e que só servem para separar alguém do significado vivo dessa resposta profunda a Deus.

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Uma Comparação da Glossolalia em Atos e Coríntios

Por: Melvin Ho

O objetivo deste artigo é examinar e analisar o ensino de línguas em 1 Coríntios 12–14, e compará-lo com a descrição no Livro de Atos. O objetivo dessa comparação é demonstrar que os pontos de vista expressos pelo Espírito Santo por meio de Paulo e Lucas são similares em substância e complementares em suas distinções.

Desafios para Glossolalia

Grande parte da controvérsia sobre línguas no passado centrou-se na validade das línguas como uma experiência subsequente para o crente em relação ao batismo no Espírito Santo. A rejeição do Pentecostalismo era geralmente baseada em pressupostos antissobrenaturalistas e naturalistas.

Atualmente, o desafio à glossolalia mudou da rejeição do fenômeno em sua forma antissobrenaturalista para uma forma mais sofisticada e sutil: sua validade teológica e bíblica.

Algumas pessoas acusam os Pentecostais de negligenciarem as evidências Paulinas e de construir sua teologia sobre evidência inferencial, e não em afirmações bíblicas. Em outras palavras, eles afirmam que os Pentecostais empregam passagens em Atos totalmente fundamentadas em precedentes, a fim de construir uma doutrina da evidência inicial de línguas para apoiar sua experiência. Para fortalecer sua posição, eles desenvolveram os seguintes argumentos:

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UMA INTERPRETAÇÃO DE MATEUS 24 Parte 14-17

Por Thomas Ice

Parte 14 – Mateus 24: 16-20 A Ordem para Fugir

 Então, os que estiverem na Judéia fujam para os montes. Quem estiver no telhado de sua casa não desça para tirar dela coisa alguma. Quem estiver no campo não volte para pegar seu manto. Como serão terríveis aqueles dias para as grávidas e para as que estiverem amamentando! Orem para que a fuga de vocês não aconteça no inverno nem no sábado.  – Mateus 24: 16-20

Anteriormente, vimos que Mateus 24:15 descreve um acontecimento que estabelece o centro cronológico da tribulação de sete anos. Os versículos 16 a 20 descrevem a resposta sugerida aos fiéis que veem a abominação da desolação em Jerusalém. Eles devem sair de cena o mais rápido possível. Por quê? É porque a segunda metade da tribulação será um período de perseguição e grande tribulação para o remanescente Judeu.

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