AGOSTINHO VENCEU SEU DEBATE COM FORTUNATO?

Jason David BeDuhn

Universidade do Norte do Arizona, Flagstaf

Por dois dias em agosto de 392, Agostinho, sacerdote católico de Hipona, envolveu-se em um debate com Fortunato, o líder da comunidade maniqueísta da cidade. Quem ganhou este debate? [1] Agostinho acreditou que sim. Mas ele dificilmente é uma testemunha objetiva. Apesar disso, os comentaristas têm levado a sério suas palavras através dos séculos, estimando e incluindo em biografias e obras de referência mais recentes sobre a carreira de Agostinho.[2] Mesmo na melhor hipótese, os especialistas foram decididamente tendenciosos em favor da posição de Agostinho no debate, em muitos casos citando meras paráfrases dos ataques de Agostinho no debate como conclusões analíticas sobre deficiências no sistema maniqueísta. A leitura tradicional do debate como uma vitória para Agostinho foi moldada por uma tendência teleológica em favor das posições de Agostinho na história intelectual ocidental, pelo detalhe que é Fortunato que pede o fim do debate, e pela impressão de que o enigma Nebrídiano representado por Agostinho é decisivo no debate, porque ele persiste em colocá-lo de uma forma que não reconhece qualquer resposta de Fortunato. Nas últimas décadas, no entanto, um número de pesquisadores começara a reavaliar a leitura tradicional do debate, e resgatar a força dos argumentos de Fortunato, tanto como em seu impacto sobre Agostinho.

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QUANDO O CALVINISMO COMEÇOU?

Por Jack Cottrell

PERGUNTA: Eu tenho uma pergunta sobre a natureza histórica do Calvinismo. Um dos meus pontos com meus amigos calvinistas tem sido que você realmente não vê as doutrinas da T-U-L-I-P até Agostinho Para mim isso é uma coisa atraente. Se Paulo quis dizer total depravação e tudo o que os calvinistas acreditam, então você acredita que poderia encontrar isso nos pais da igreja primitiva. Você acha esse argumento convincente? Eu li recentemente em um blog que basicamente dizia que as ideias do Calvinismo estão em todos os pais da igreja primitiva. O que você acha?

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A Igreja Primitiva e o Livre-Arbítrio

Paul Marston e Roger T. Forster

O simpatizante agostiniano Alister E. McGrath admite:

A tradição teológica pré-agostiniana é praticamente unânime em afirmar a liberdade da vontade humana.

Isto de fato é verdadeiro a todos os ramos divergentes da teologia da igreja primitiva, em todas as áreas às quais a igreja era conduzida. Como notamos na seção 16, o termo “livre-arbítrio” foi inventado, como o termo “trindade”, como parte de uma elucidação de ideias claramente implícitas na Escritura. Nem uma única personalidade da igreja nos primeiros 300 anos o rejeitou e a maioria o afirmava claramente em obras ainda existentes. Vemos que ele foi ensinado por grandes líderes em lugares tão diferentes quanto Alexandria, Antioquia, Atenas, Cartago, Jerusalém, Lícia, Nissa, Roma e Sica.E também pelos líderes de todas as principais escolas teológicas. Os únicos que o rejeitavam eram heréticos, como os gnósticos, Marcião, Valentino, Mane (e os maniqueístas), etc. De fato, os pais primitivos geralmente afirmam sua crença no “livre-arbítrio” em obras atacando os heréticos. Três ideias recorrentes parecem estar em seus ensinos:

1. A rejeição do livre-arbítrio é o ponto de vista dos heréticos.

2. O livre-arbítrio é um dom dado ao homem por Deus – pois nada pode finalmente ser independente de Deus.

3 – O homem possui livre-arbítrio porque ele foi feito à imagem de Deus, e Deus tem livre-arbítrio.

Abaixo preparamos algumas passagens dos escritos de personalidades líderes da igreja primitiva. Cada uma é acompanhada por uma breve explicação de quem o escritor era, mas para mais explicação o leitor deverá consultar alguma obra padrão. Antes, uma nota explicativa (dada por Smith) pode ser útil: “Os escritores que tentaram argumentar em favor da fé cristã são frequentemente chamados de ‘apologistas’, do grego apologia, que significa ‘defesa’. Em inglês este é um termo enganador, porque sugere que eles estavam se desculpando (inglês, apologizing) de alguma coisa. Eles não estavam. Algumas de suas obras eram mais um ataque frontal ao paganismo contemporâneo. Muitas delas eram uma explicação do que os cristãos eram e porque eles eram inocentes das acusações lançadas contra eles”.

Fonte: God’s Strategy in Human History, p. 296, 297

Tradução: Paulo Cesar Antune

OS PAIS DA IGREJA PRIMITIVA ENSINARAM AS DOUTRINAS CALVINISTAS?

Esta informação histórica pode ser útil na sua busca pela perspectiva soteriológica mais sólida. Mesmo o notável historiador calvinista, Loraine Boettner, admitiu: “Esta verdade fundamental [calvinismo] do cristianismo foi primeiramente ensinada claramente por Agostinho, o grande teólogo cheio do Espírito do Ocidente”.

Considere este artigo produzido por Tim Warner em 2003:

Antes dos escritos de Agostinho, a Igreja sustentava universalmente que a humanidade tinha um livre arbítrio. Cada homem era responsável diante de Deus para aceitar o Evangelho. Seu destino final, enquanto totalmente dependente da graça e do poder de Deus, também dependia de sua livre escolha de submeter-se ou rejeitar a graça e o poder de Deus. Nos três séculos dos Apóstolos a Agostinho, a Igreja primitiva não considerou NENHUM dos cinco pontos do Calvinismo. Os escritos da Igreja ortodoxa, durante os primeiros três séculos, estão em contraste com as ideias de Agostinho e Calvino. O homem é plenamente responsável por sua escolha para responder ou rejeitar o Evangelho. Esta era considerada a doutrina apostólica transmitida através dos anciãos da igreja local ordenados pelos Apóstolos e seus sucessores. Abaixo temos listado algumas citações representativas dos escritores anteriores, a fim de dar o sabor da tradição mais antiga em relação à eleição e livre arbítrio. Alguns lidam com o tema da perseverança e apostasia.

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O APÓSTOLO JOÃO E A ÁSIA MENOR COMO UMA FONTE DO PRÉ-MILENISMO NOS PAIS DA IGREJA PRIMITIVA

Larry V. Crutchfield *

Uma das características centrais da escatologia patrística primitiva foi à crença no retorno pré-milenar de Cristo. Geralmente, aceitou-se entre estudiosos conservadores que esta doutrina era corrente no período ante-niceno. Como Froom diz: “Esta concepção do reinado dos santos ressuscitados e transformados com Cristo nesta terra durante o milênio – popularmente conhecido como Quiliasmo – foi a crença cada vez mais prevalecente nessa época” .1 Somente com as tendências alegorizantes dos primeiros teólogos alexandrinos , especialmente Orígenes, e depois o bispo africano Agostinho a doutrina eventualmente caiu em descredito.

Embora houvesse um consenso geral de que a Igreja primitiva foi pre-milenista em sua expectativa escatológica, a questão da origem dessa doutrina entre os primeiros pais da Igreja tem sido o foco de uma discussão considerável. Além dos textos das Escrituras canônicas geralmente citadas pelos pais em apoio à doutrina (por exemplo Isa 65: 17-25; Ps 90: 4; 2 Pet 3: 8; Rev. 20: 4-6; et al.), Certas fontes apocalípticas não-canônicas são frequentemente sugeridas pelos escritores modernos como contribuidores possíveis também (por exemplo, 1 Enoq 10:19; 2 Apoc. Bar. 29: 5; Jub. 4: 29-30; 23:27; et al.). Mas, independentemente das diferentes partículas de dados apocalípticos – escritas e / ou orais – unidas pelos primeiros milenaristas para apoiar seus conceitos sobre o reino vindouro, o fio sobre o qual essas partículas estavam penduradas era o mesmo. Essa vertente, o ensinamento joanino sobre o reinado milenar de Cristo, foi concebido na ilha de Patmos, mas alimentada na Ásia Menor.

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