A responsabilidade pelo pecado involuntário em Santo Agostinho

BLOG: Romanos 7 tem uma  função importante na teologia de Agostinho de Hipona,  desde que é a partir das sequelas que  o debate com Fortunato deixa em Agostinho que o mesmo começa  seu movimento de abandono da posição tradicional  do cristianismo primitivo sobre Romanos 7. Passando a desenvolver o conceito  de pecado involuntário, partindo  de uma base maniqueia. o link que segue  trata o contexto histórico e teológico do debate de Agostinho com Fortunato. https://paleoortodoxo.wordpress.com/2018/08/08/agostinho-venceu-seu-debate-com-fortunato/

 Em um artigo anterior[1], apontei para o fato de que, em suas obras tardias, Agostinho chegou a acreditar que um dos resultados da queda de Adão foi colocar os homens em tal situação que é possível para eles pecarem sem desejar fazê-lo. Pecado desse tipo eu descrevi como “pecado involuntário”[2]. A gênese desta noção no pensamento de Agostinho foi atribuída ao debate contra o Maniqueu Fortunato, nos dias 28 e 29 de agosto, 392. Nesse debate, Agostinho foi obrigado a admitir pela primeira vez, sob a persuasão de certos textos paulinos[3] habilidosamente manejados por Fortunato, que os homens pecam por necessidade. Essa admissão contém o germe de toda a compreensão posterior de Agostinho sobre a incapacidade do homem, uma compreensão que contrasta tão fortemente com a visão encontrada em seus trabalhos anteriores, esse homem era capaz de fazer o bem e evitar o mal em virtude de seu livre-arbítrio.

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AGOSTINHO VENCEU SEU DEBATE COM FORTUNATO?

Jason David BeDuhn

Universidade do Norte do Arizona, Flagstaf

Por dois dias em agosto de 392, Agostinho, sacerdote católico de Hipona, envolveu-se em um debate com Fortunato, o líder da comunidade maniqueísta da cidade. Quem ganhou este debate? [1] Agostinho acreditou que sim. Mas ele dificilmente é uma testemunha objetiva. Apesar disso, os comentaristas têm levado a sério suas palavras através dos séculos, estimando e incluindo em biografias e obras de referência mais recentes sobre a carreira de Agostinho.[2] Mesmo na melhor hipótese, os especialistas foram decididamente tendenciosos em favor da posição de Agostinho no debate, em muitos casos citando meras paráfrases dos ataques de Agostinho no debate como conclusões analíticas sobre deficiências no sistema maniqueísta. A leitura tradicional do debate como uma vitória para Agostinho foi moldada por uma tendência teleológica em favor das posições de Agostinho na história intelectual ocidental, pelo detalhe que é Fortunato que pede o fim do debate, e pela impressão de que o enigma Nebrídiano representado por Agostinho é decisivo no debate, porque ele persiste em colocá-lo de uma forma que não reconhece qualquer resposta de Fortunato. Nas últimas décadas, no entanto, um número de pesquisadores começara a reavaliar a leitura tradicional do debate, e resgatar a força dos argumentos de Fortunato, tanto como em seu impacto sobre Agostinho.

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QUANDO O CALVINISMO COMEÇOU?

Por Jack Cottrell

PERGUNTA: Eu tenho uma pergunta sobre a natureza histórica do Calvinismo. Um dos meus pontos com meus amigos calvinistas tem sido que você realmente não vê as doutrinas da T-U-L-I-P até Agostinho Para mim isso é uma coisa atraente. Se Paulo quis dizer total depravação e tudo o que os calvinistas acreditam, então você acredita que poderia encontrar isso nos pais da igreja primitiva. Você acha esse argumento convincente? Eu li recentemente em um blog que basicamente dizia que as ideias do Calvinismo estão em todos os pais da igreja primitiva. O que você acha?

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UMA HISTÓRIA DO DISPENSACIONALISMO

Por Thomas Ice

É duvidoso que tenha havido outro círculo de homens [dispensacionalistas] que tenham feito mais com sua influência na pregação, ensino e escrita para promover o amor ao Estudo bíblico, um desejo ardente pela vida cristã mais profunda, uma paixão pelo evangelismo e zelo pelas missões na história do cristianismo americano.1
– Crítico Dispensacionalista, George E. Ladd

Certamente todos nós concordaremos que muitos homens de piedade e zelo destacados defenderam crenças dispensacionais. . . . as questões que são levantadas pelo dispensacionalismo são cruciais para a vida da Igreja e a compreensão das Escrituras.2
—Anti-dispensacionalista, C. Norman Kraus

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Agostinho sobre Cair da Graça

O quinto ponto do calvinismo é a perseverança dos santos. A Confissão de Westminster define Perseverança dos santos como:

Eles, a quem Deus aceitou em seu amado, efeticazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem nem se afastar total ou finalmente do estado de graça, mas certamente perseverarão até o fim e serão eternamente salvos. (link)

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A Igreja Primitiva e o Livre-Arbítrio

Paul Marston e Roger T. Forster

O simpatizante agostiniano Alister E. McGrath admite:

A tradição teológica pré-agostiniana é praticamente unânime em afirmar a liberdade da vontade humana.

Isto de fato é verdadeiro a todos os ramos divergentes da teologia da igreja primitiva, em todas as áreas às quais a igreja era conduzida. Como notamos na seção 16, o termo “livre-arbítrio” foi inventado, como o termo “trindade”, como parte de uma elucidação de ideias claramente implícitas na Escritura. Nem uma única personalidade da igreja nos primeiros 300 anos o rejeitou e a maioria o afirmava claramente em obras ainda existentes. Vemos que ele foi ensinado por grandes líderes em lugares tão diferentes quanto Alexandria, Antioquia, Atenas, Cartago, Jerusalém, Lícia, Nissa, Roma e Sica.E também pelos líderes de todas as principais escolas teológicas. Os únicos que o rejeitavam eram heréticos, como os gnósticos, Marcião, Valentino, Mane (e os maniqueístas), etc. De fato, os pais primitivos geralmente afirmam sua crença no “livre-arbítrio” em obras atacando os heréticos. Três ideias recorrentes parecem estar em seus ensinos:

1. A rejeição do livre-arbítrio é o ponto de vista dos heréticos.

2. O livre-arbítrio é um dom dado ao homem por Deus – pois nada pode finalmente ser independente de Deus.

3 – O homem possui livre-arbítrio porque ele foi feito à imagem de Deus, e Deus tem livre-arbítrio.

Abaixo preparamos algumas passagens dos escritos de personalidades líderes da igreja primitiva. Cada uma é acompanhada por uma breve explicação de quem o escritor era, mas para mais explicação o leitor deverá consultar alguma obra padrão. Antes, uma nota explicativa (dada por Smith) pode ser útil: “Os escritores que tentaram argumentar em favor da fé cristã são frequentemente chamados de ‘apologistas’, do grego apologia, que significa ‘defesa’. Em inglês este é um termo enganador, porque sugere que eles estavam se desculpando (inglês, apologizing) de alguma coisa. Eles não estavam. Algumas de suas obras eram mais um ataque frontal ao paganismo contemporâneo. Muitas delas eram uma explicação do que os cristãos eram e porque eles eram inocentes das acusações lançadas contra eles”.

Fonte: God’s Strategy in Human History, p. 296, 297

Tradução: Paulo Cesar Antune

OS PAIS DA IGREJA PRIMITIVA ENSINARAM AS DOUTRINAS CALVINISTAS?

Esta informação histórica pode ser útil na sua busca pela perspectiva soteriológica mais sólida. Mesmo o notável historiador calvinista, Loraine Boettner, admitiu: “Esta verdade fundamental [calvinismo] do cristianismo foi primeiramente ensinada claramente por Agostinho, o grande teólogo cheio do Espírito do Ocidente”.

Considere este artigo produzido por Tim Warner em 2003:

Antes dos escritos de Agostinho, a Igreja sustentava universalmente que a humanidade tinha um livre arbítrio. Cada homem era responsável diante de Deus para aceitar o Evangelho. Seu destino final, enquanto totalmente dependente da graça e do poder de Deus, também dependia de sua livre escolha de submeter-se ou rejeitar a graça e o poder de Deus. Nos três séculos dos Apóstolos a Agostinho, a Igreja primitiva não considerou NENHUM dos cinco pontos do Calvinismo. Os escritos da Igreja ortodoxa, durante os primeiros três séculos, estão em contraste com as ideias de Agostinho e Calvino. O homem é plenamente responsável por sua escolha para responder ou rejeitar o Evangelho. Esta era considerada a doutrina apostólica transmitida através dos anciãos da igreja local ordenados pelos Apóstolos e seus sucessores. Abaixo temos listado algumas citações representativas dos escritores anteriores, a fim de dar o sabor da tradição mais antiga em relação à eleição e livre arbítrio. Alguns lidam com o tema da perseverança e apostasia.

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O APÓSTOLO JOÃO E A ÁSIA MENOR COMO UMA FONTE DO PRÉ-MILENISMO NOS PAIS DA IGREJA PRIMITIVA

Larry V. Crutchfield *

Uma das características centrais da escatologia patrística primitiva foi à crença no retorno pré-milenar de Cristo. Geralmente, aceitou-se entre estudiosos conservadores que esta doutrina era corrente no período ante-niceno. Como Froom diz: “Esta concepção do reinado dos santos ressuscitados e transformados com Cristo nesta terra durante o milênio – popularmente conhecido como Quiliasmo – foi a crença cada vez mais prevalecente nessa época” .1 Somente com as tendências alegorizantes dos primeiros teólogos alexandrinos , especialmente Orígenes, e depois o bispo africano Agostinho a doutrina eventualmente caiu em descredito.

Embora houvesse um consenso geral de que a Igreja primitiva foi pre-milenista em sua expectativa escatológica, a questão da origem dessa doutrina entre os primeiros pais da Igreja tem sido o foco de uma discussão considerável. Além dos textos das Escrituras canônicas geralmente citadas pelos pais em apoio à doutrina (por exemplo Isa 65: 17-25; Ps 90: 4; 2 Pet 3: 8; Rev. 20: 4-6; et al.), Certas fontes apocalípticas não-canônicas são frequentemente sugeridas pelos escritores modernos como contribuidores possíveis também (por exemplo, 1 Enoq 10:19; 2 Apoc. Bar. 29: 5; Jub. 4: 29-30; 23:27; et al.). Mas, independentemente das diferentes partículas de dados apocalípticos – escritas e / ou orais – unidas pelos primeiros milenaristas para apoiar seus conceitos sobre o reino vindouro, o fio sobre o qual essas partículas estavam penduradas era o mesmo. Essa vertente, o ensinamento joanino sobre o reinado milenar de Cristo, foi concebido na ilha de Patmos, mas alimentada na Ásia Menor.

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Uma pessoa salva pode se perder? (à luz da igreja primitiva)

 

Como os cristãos primitivos acreditavam que fé e obediência contínuas são necessárias para a salvação, é natural que eles acreditassem que uma pessoa “salva” ainda poderia acabar se perdendo. Por exemplo, Irineu, discípulo de Policarpo, escreveu:

Jesus não vai morrer outra vez por aqueles que ainda pecam, pois a morte não terá mais domínio sobre ele… Portanto não devemos nos orgulhar…Mas temos que tomar cuidado, pois de alguma forma, depois que conhecemos a Cristo, se continuamos fazendo coisas que desagradam a Deus, não obtemos mais o perdão dos nossos pecados, mas, em vez disso somos excluídos de seu reino (leia Hebreus 6:4-6).22

E Tertuliano escreveu:

Algumas pessoas agem como se Deus tivesse a obrigação  de dar seu dom até aos indignos. Transformam sua generosidade em escravidão… Afinal, muitos não acabam perdendo a graça de Deus? Este dom preciso não é retirado de muitos?23

Cipriano disse  aos seus companheiros:

Está escrito: ‘Sereis odiados de todos por causa do meu nome; aquele, porém, que perseverar até o fim, esse será salvo’ (Mateus 10:22). Assim, o que quer que anteceda o fim é apenas um degrau para chegarmos ao topo da salvação. Aqui não é a linha de chegada, em que já ganhamos o premio da escalada. 24

Uma das passagens bíblicas mais citadas pelo cristão primitivo era Hebreus 10:26, que diz:”Porque, se vivermos deliberadamente  em pecado, depois de termos recebido o pleno conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados”. Geralmente nos  dizem que nesta passagem o autor de Hebreus não estava se referindo aos salvos. Se for o caso, o escritor não conseguiu se fazer entender aos seus leitores, pois todos  os cristão primitivos entendiam que esta passagem estava se referindo às pessoas salvas.

Talvez algumas das citações dos cristãos primitivos levem você a pensar que eles viviam em  constante insegurança. Mas isso não é verdade. Embora acreditassem que Deus poderia deserdá-los se assim o quisesse, seus escritos geralmente mostram que os cristãos obedientes não viviam com um medo constante de que fossem deserdados.  Um filho obediente vive  sempre com medo de que  seu pai terrestre o deserde?

22- Irineu. Contra Heresias, Livro 4, capitulo 27, seção 2

23- Tertuliano. A penitencia, capitulo 6.

24- Cipriano. Sobre a Unidade da Igreja, seção 21

Fonte:  Que falem os primeiros Cristãos. Pgs.72-73, David W. Bercot