ETERNIDADE, TEMPO E ESPAÇO

Por Wolfhart Pannenberg

Resumo. Os conceitos de espaço e tempo são importantes na física e na geometria, mas sua definição não é prerrogativa exclusiva dessas ciências. Espaço e tempo são importantes para a experiência humana comum, bem como para a filosofia e a teologia. Samuel Clarke, Gottfried Wilhelm Leibniz, Isaac Newton, Immanuel Kant e Albert Einstein são figuras importantes na formação de nossa compreensão de espaço, tempo e eternidade. O autor submete seus argumentos a um exame crítico. O espaço não é um receptáculo infinito e vazio (Newton) nem um sistema de relações na mente (Leibniz). Espaço e tempo infinitos podem ser interpretados como expressão da eternidade e onipresença de Deus em relação à criação (Clarke), mas tal interpretação é aprimorada pelo pensamento de Kant, para esclarecer que, embora tempo e espaço sejam diferenciados em eventos individuais, o todo está presente ao mesmo tempo. Até mesmo a experiência humana reconhece essa totalidade, e para Deus a eternidade é a presença e a posse simultâneas da totalidade. A existência temporal de entidades finitas também está relacionada a uma participação futura na vida eterna de Deus. Conceitos de contingência também são trazidos à discussão.

Palavras-chave: Samuel Clarke; contingência; Albert Einstein; eternidade e onipresença de Deus; Immanuel Kant; espaço; espaço-tempo; tempo.

Os conceitos de espaço e tempo são importantes não apenas na física e na geometria, mas em toda a experiência humana. Não é evidente que a definição desses conceitos seja prerrogativa exclusiva da geometria e da física. Certamente, a mensuração das relações espaciais e temporais é uma questão de competência especial de geômetras e físicos, mas não é de forma alguma certo que, a mensuração das relações espaciais e temporais esgote os conceitos de espaço e tempo.

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A DOUTRINA DA CRIAÇÃO E A CIÊNCIA MODERNA

Por Wolfhart Pannenberg

Resumo. Em contraste com a teologia cristã que ignorou a ciência, este ensaio sugere que uma doutrina crível de Deus como criador deve levar em conta a compreensão científica do mundo. A introdução do princípio da inércia na ciência e na filosofia do século XVII ajudou a transformar a ideia tradicional de Deus como criador (que incluía a conservação e o governo divinos) em um conceito deísta de Deus. Para recapturar a ideia de que Deus cria continuamente, é importante afirmar a contingência do mundo como um todo e de todos os eventos no mundo. Refletir sobre a inter-relação entre contingência e lei natural fornece uma estrutura para relacionar teorias científicas de um campo universal, o conceito de evolução emergente e o conceito teológico de espírito divino eterno ativo em toda a criação.

Palavras-chave: teoria; Deus; espírito de Deus. contingência; criação; evolução emergente; Campo

Do século XVIII ao início do século XX, as relações entre ciência e teologia cristã foram marcadas por crescente alienação mútua. No decorrer deste século, no entanto, surgiu uma série de esforços para transpor o abismo que se havia desenvolvido. Na Inglaterra, esses esforços começaram já na segunda metade do século passado, quando se tentou fazer uma avaliação teologicamente positiva da doutrina da evolução, a fim de integrá-la a uma visão cristã do mundo e da história da salvação. Um número considerável de cientistas, especialmente biólogos, participaram desses esforços, particularmente na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos.

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Wolfhart Pannenberg: Razão, Esperança e Transcendência

STANLEY GRENZ

Na década de 1960, o teólogo sistemático alemão Wolfhart Pannenberg foi aclamado como um proponente da emergente teologia da esperança. Pannenberg nunca se interessou em aceitar esse rótulo para si mesmo. Sua aversão é correta, visto que seu programa vai além da intenção original dessa teologia; no entanto, a inclusão de Pannenberg nesse movimento histórico permanece apropriada. Sua ascensão à proeminência teológica ocorreu no contexto do advento da teologia da esperança, e ele compartilha a orientação central do movimento, a saber, a ênfase no futuro ou no eschaton como o ponto de transcendência.

O DESENVOLVIMENTO TEOLÓGICO INICIAL DE PANNENBERG

Wolfhart Pannenberg nasceu em 1928 em uma parte do nordeste da Alemanha que hoje pertence à Polônia. A perspectiva básica que impulsiona seu programa teológico foi moldada bem cedo. Um fator crucial nesse processo de moldagem foi o caminho que ele seguiu para chegar à fé, pois este foi, ao mesmo tempo, o caminho que o levou a escolher a teologia como busca de sua vida. Uma série de experiências cruciais o lançaram nessa direção.[1]

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