
— Walter C. Kaiser, Jr.
Trinity Evangelical Divinity School
A interpretação bíblica é um dos campos de estudo mais determinantes para a tarefa teológica. Quaisquer movimentos inadequados feitos na missão interpretativa afetam imediatamente os resultados obtidos na construção teológica. Com muita frequência, esse princípio tem sido apenas mencionado da boca para fora, mas outras preocupações têm recebido prioridade na prática, muitas vezes com consequências devastadoras. A interpretação bíblica, no entanto, não é uma panaceia nem a solução mágica para todos os males da teologia contemporânea. De fato, a hermenêutica envolve tanto um componente exegético quanto um teológico para que possa ser levada à sua conclusão. A parte exegética do processo interpretativo inclui aspectos gramaticais, sintáticos, filológicos, históricos e literários. Todas essas funções são bem conhecidas e geralmente nos colocam em contato com os segmentos individuais do pensamento do autor que está sendo analisado. Mas essas peças do quebra-cabeça precisam ser relacionadas à estrutura geral do pensamento de um escritor. É neste ponto que o componente teológico do esforço hermenêutico vem à tona e geralmente introduz o conceito frequentemente mal utilizado de “A Analogia da Fé”.
I. A Analogia da Fé
Analogia fidei é um conceito que tem muitos defensores, mas poucos que o definem cuidadosamente. Henri Blocher[2] delineou cuidadosamente quatro significados distintos para o conceito de analogia da fé: 1) o tradicional, conforme estabelecido por Georg Sohnius (c. 1585):[3] “o apóstolo prescreve que a interpretação seja análoga à fé (Rm 12:6), isto é, que ela concorde com os primeiros axiomas ou princípios, por assim dizer, da fé, bem como com todo o corpo da doutrina celestial”; 2) a “clareza” da definição das Escrituras, defendida por Martinho Lutero, em que o sentido do texto deve ser extraído dos versículos claros da Bíblia e, assim, resultar no tipo tópico seletivo de analogia da fé; 3) a compreensão tematicamente seletiva da analogia da fé, defendida por João Calvino: “Quando São Paulo decidiu que toda profecia deveria se conformar à analogia e semelhança da fé (Rm 12:6), ele estabeleceu uma regra muito certa para testar toda interpretação das Escrituras”;[4] e 4) a visão defendida pela maioria dos protestantes, que pode ser descrita como uma definição mais formal, a analogia totius Scripturae. Nessa visão, todas as Escrituras relevantes sobre qualquer tópico são levadas em consideração para estabelecer uma posição que seja coerente com toda a Bíblia. A analogia da fé, nessa visão, é a harmonia de todas as declarações bíblicas, onde o texto é exposto por meio de uma comparação de textos semelhantes com textos diferentes.
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