CRÍTICA TEXTUAL MODERNA E O RESSURGIMENTO DO TEXTUS RECEPTUS

Gordon D. Fee*

Os estudiosos do Novo Testamento e os pastores em exercício geralmente concordam em um ponto: a tarefa da crítica textual do NT está praticamente concluída. O que resta é basicamente uma operação de “limpeza” em algumas leituras controversas. Assim, um renomado estudioso do NT como Joachim Jeremias sugeriu: “Pode-se dizer, sem exagero, que este capítulo da pesquisa está essencialmente concluído e que hoje alcançamos o melhor texto grego possível do Novo Testamento.”[1] Da mesma forma, a maioria dos pastores utiliza com prazer as várias ferramentas que evidenciam essa atitude em relação ao texto.

Certamente, nem todos compartilham dessa “facilidade em Sião”. Por exemplo, os estudiosos envolvidos na “limpeza” percebem quão grande ainda é a tarefa de coletar, comparar e avaliar o material. No entanto, existe entre esses estudiosos um consenso metodológico, ou seja, que tanto as evidências internas (questões de estilo do autor e hábitos de escrita) quanto as evidências externas (valor atribuído aos manuscritos que apoiam uma variante) devem ser levadas em consideração na tomada de decisões textuais. Como B. M. Metzger afirmou recentemente: “A crítica textual é uma arte, bem como uma ciência, e exige que cada conjunto de variantes seja avaliado à luz da mais completa consideração tanto das evidências externas quanto das probabilidades internas.”[2]

Nos últimos anos, porém, a inquietação em relação a esse consenso resultou em duas alternativas diametralmente opostas. Por um lado, houve a proposta metodológica de G. D. Kilpatrick e J. K. Elliott de que todas as escolhas textuais sejam feitas com base apenas em probabilidades internas. Em um artigo recente no Festschrift de Kilpatrick, tentei apontar as várias fragilidades dessa opção e, nas palavras de J. Duplacy, argumentei “a causa da história e, em nome da história, a causa dos documentos”.[3]

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