6 O FUTURO DA ESCATOLOGIA DA AD

6.1 Introdução

Após examinar as diversas vozes da escatologia da AD, o capítulo anterior buscou enquadrar a escatologia da AD em termos de seus aspectos pneumatológicos, esperançosos, pré-milenistas, dispensacionalistas modificados e transformacionais. Neste capítulo, essas percepções serão usadas como base para construir uma escatologia pneumatológica contemporânea fundamentada em cada uma das quatro imagens contidas nas verdades fundamentais escatológicas. Essa tentativa buscará desenvolver a escatologia da AD de uma maneira que dialogue com a comunidade acadêmica da AD e seja consistente com o testemunho do século passado. Para alcançar esse objetivo, começaremos explorando o papel da imaginação pneumatológica como uma forma de propor um futuro para a escatologia da AD. Esta seção deste capítulo tentará avaliar o papel da imaginação na teologia como uma forma de construir uma teologia do futuro e explorar o papel do Espírito na imaginação como uma forma exclusivamente pentecostal de construir o futuro. Ao desenvolver uma escatologia pneumatológica, este capítulo proporá um futuro para a escatologia da AD que poderá revitalizar essas doutrinas para garantir sua centralidade para a AD nas gerações futuras.

6.2 A Crise da Imaginação

Durante o século passado, a teologia protestante tem estado em processo de tentar se libertar do que Wolfgang Vondey chamou de “crise da imaginação”.[1] Durante grande parte de sua história, a igreja tem lutado para ver a imaginação como um recurso para a reflexão teológica sem abraçar o subjetivismo.[2] Particularmente desde a Reforma, a reflexão teológica tem estado enraizada em pressupostos epistemológicos iluministas de que o mundo foi construído sobre um sistema de leis universais e verdades “autoevidentes”.[3] Usando o Realismo do Senso Comum e os princípios baconianos, os protestantes adotaram uma abordagem científica para o estudo da Bíblia, na qual a racionalidade teve precedência sobre as abordagens subjetivas. Os estudiosos liberais usaram pressupostos modernistas para explicar os elementos sobrenaturais das Escrituras, o que resultou na alta crítica. Os conservadores, observando como a alta crítica estava minando as verdades cristãs, usaram pressupostos modernistas para argumentar a favor de evidências cristãs e verdades verificáveis, o que resultou no fundamentalismo.[4] Embora essas duas abordagens fossem em direções opostas, ambas empregavam, em última análise, o mesmo pressuposto modernista de que algo só é verdadeiro se puder ser verificado pelos cinco sentidos.[5] Os evangélicos conservadores se voltaram para o que ficou conhecido como teologia de Princeton, que enfatizava uma leitura literal das Escrituras, evidências cristãs e uma fé essencialmente baseada na experiência.[6] Essa premissa transformou a Bíblia em um livro de fatos autoevidentes a serem estudados cientificamente e a reflexão teológica em simplesmente fazer declarações proposicionais do que era visto como verdades universalmente aceitas. Na virada do século XX, a teologia protestante foi construída sobre uma metodologia simplista de “doutrina bíblica” que fazia afirmações proposicionais que careciam de profundidade hermenêutica e teológica.[7] Nos últimos anos, surgiram metodologias hermenêuticas mais recentes, não vinculadas a pressupostos modernistas, que são mais abertas aos aspectos experienciais e práticos da fé.[8] Os pentecostais, em particular, desenvolveram abordagens pneumatológicas que leem as Escrituras de uma maneira que dialoga com o Espírito e a comunidade.[9] Ao abrir o processo hermenêutico para além das metodologias empíricas, a imaginação emergiu mais uma vez como um recurso para a compreensão da verdade, de Deus e do significado das Escrituras.

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